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A saúde do servidor público precisa ser prioridade

20 de out.
7 min de leitura

Atualizado: 20 de out.

Revista Pulsar entrevista o presidente do SIMUSAR, Prof. Jonas Fusiger, sobre os desafios da saúde física e mental dos servidores municipais de Santa Rosa.








1. A saúde do servidor público é fundamental tanto para a qualidade de vida dos trabalhadores quanto para a qualidade dos serviços prestados à população. Como o SIMUSAR avalia atualmente as condições de saúde e de trabalho dos servidores municipais de Santa Rosa?

A saúde do servidor público precisa ser tratada como prioridade. Em diferentes setores, os trabalhadores enfrentam sobrecarga, falta de recursos e condições que podem comprometer seu bem-estar físico e emocional.

Para conhecer melhor essa realidade, o SIMUSAR realizou, em 2026, uma pesquisa com, aproximadamente, 20%  servidores municipais ativos associados. Os resultados reforçam a urgência de olhar para as condições de trabalho e buscar mudanças efetivas.

Defender o servidor é reconhecer que, por trás de cada serviço prestado à população, existe uma pessoa que merece respeito, valorização e condições dignas para trabalhar.

2. O levantamento realizado pelo SIMUSAR revelou que 90,1% dos participantes afirmaram que o trabalho afeta sua saúde total ou parcialmente. O que esse dado representa para o sindicato e qual é o alerta que ele deixa para a Administração Municipal?

Esse é um dos resultados mais preocupantes da pesquisa: nove em cada dez participantes afirmam que o trabalho afeta sua saúde. É um sinal de alerta que não podemos ignorar.

Embora o levantamento registre a percepção dos servidores e não estabeleça, por si só, uma relação médica definitiva entre trabalho e doença, os dados justificam uma investigação mais aprofundada e medidas concretas de prevenção.

Precisamos olhar além dos afastamentos individuais e compreender as condições de trabalho, a organização das atividades e os fatores que podem causar desgaste físico e emocional.

O objetivo do SIMUSAR não é apenas apontar problemas, mas contribuir para soluções. Por isso, defendemos que a Administração Municipal analise os resultados e construa, junto com o sindicato e os servidores, um plano de ação com medidas e responsabilidades definidas. Não podemos esperar que o trabalhador adoeça ainda mais para agir. Prevenir é cuidar das pessoas e fortalecer o serviço público.

3. A pesquisa identificou que 56,8% dos participantes vivenciam situações frequentes de estresse ocupacional e 55,3% relatam esgotamento emocional frequente. Quais fatores podem estar contribuindo para esse cenário e como a saúde mental precisa ser tratada no serviço público?

Precisamos reconhecer que o servidor público é, antes de tudo, um ser humano, com limites, sentimentos e responsabilidades que vão muito além do trabalho. O sofrimento emocional não pode ser confundido com fraqueza ou falta de compromisso.

A pesquisa reforça essa preocupação: o estresse e o esgotamento emocional aparecem com frequência, e 52,8% dos participantes apontaram a pressão psicológica como um fator de risco no ambiente profissional. Esses dados nos fazem refletir sobre a sobrecarga, as relações de trabalho e a forma como as cobranças são conduzidas.

Não basta oferecer ajuda quando o servidor já está adoecido. É preciso construir ambientes mais respeitosos, preparar as chefias para lidar com suas equipes, combater o assédio e garantir espaços seguros para que os trabalhadores possam expor suas dificuldades sem medo de represálias.

Ninguém deveria precisar suportar o sofrimento em silêncio para provar seu valor profissional. Cuidar da saúde mental também significa respeitar quem está na linha de frente do serviço público. Essa responsabilidade precisa estar presente nas decisões e nas práticas da Administração Municipal.

4. Entre os problemas de saúde relatados, destacam-se os problemas de coluna, as lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) e os problemas articulares. Que medidas são necessárias para melhorar a ergonomia, prevenir doenças ocupacionais e garantir ambientes de trabalho mais seguros?

A saúde também exige atenção às condições físicas em que o servidor realiza suas atividades. Problemas de coluna, lesões por esforço repetitivo e dores articulares estão entre os principais agravos relatados na pesquisa, reforçando a importância da prevenção e da ergonomia.

Cada profissão apresenta desafios específicos. Por isso, defendemos avaliações dos ambientes de trabalho, mobiliário e equipamentos adequados, materiais disponíveis e uma organização das tarefas que respeite as necessidades de cada função.

Também é fundamental ouvir quem vive essa realidade diariamente. Os servidores conhecem as dificuldades de suas rotinas e precisam participar da construção das soluções.

Nosso objetivo é preservar a saúde, a capacidade profissional e a qualidade de vida dos trabalhadores, para que possam exercer suas funções sem comprometer o próprio bem-estar ao longo dos anos.

5. Os dados mostram que 69,5% dos participantes precisaram de pelo menos um afastamento por motivo de saúde nos 12 meses anteriores à pesquisa. O que esses números revelam sobre a necessidade de políticas permanentes de prevenção e acompanhamento da saúde dos servidores?

O número de afastamentos merece atenção, mas precisa ser interpretado com responsabilidade. Afastar-se por motivo de saúde não é falta de compromisso: é um direito e, muitas vezes, uma necessidade para a recuperação do trabalhador.

A pesquisa mostra que 45,4% dos participantes tiveram dois ou mais afastamentos nos 12 meses anteriores ao levantamento. Precisamos compreender o que está por trás desse dado, identificar possíveis problemas nas condições de trabalho e verificar quais setores necessitam de maior atenção.

Defendemos uma política permanente de saúde do servidor, com acompanhamento dos afastamentos, identificação de situações recorrentes e ações preventivas. Quando um trabalhador adoece, as consequências também chegam à família e aos colegas que precisam reorganizar suas atividades.

Não basta contabilizar os afastamentos. É preciso compreender suas causas, acolher os servidores e agir para evitar que novos adoecimentos aconteçam.

6. A pesquisa apontou a pressão psicológica como o fator de risco mais mencionado. Como a organização do trabalho, a sobrecarga de tarefas, as relações profissionais e a atuação das chefias podem influenciar a saúde dos trabalhadores?

A pesquisa revela que 68,7% dos participantes percebem apoio institucional apenas ocasionalmente, raramente ou nunca. Esse dado expõe um problema que precisa ser enfrentado: a falta de preparo de algumas chefias para lidar com pessoas, mediar conflitos e conduzir equipes com respeito.

Cobrar resultados faz parte da gestão; desrespeitar, pressionar excessivamente ou ignorar as dificuldades dos servidores não. O SIMUSAR defende gestores preparados para liderar, dialogar e reconhecer as necessidades das equipes. Uma Administração responsável não pode exigir eficiência sem garantir relações de trabalho saudáveis e condições adequadas para que os servidores desempenhem suas funções com dignidade.

7. Diante desses resultados, qual é a responsabilidade da Administração Municipal na prevenção do adoecimento ocupacional? Que medidas concretas o sindicato considera prioritárias?

A Administração Municipal precisa assumir sua responsabilidade na prevenção do adoecimento, com avaliações das condições de trabalho e participação do SIMUSAR na construção de soluções.

Também é inaceitável que períodos de afastamento recomendados por especialistas sejam reduzidos sem justificativas técnicas claras e compreensíveis. A avaliação pericial tem sua função, mas divergências devem ser fundamentadas, transparentes e respeitar a dignidade de quem está doente.

Defendemos um Programa Municipal de Saúde do Trabalhador, com prevenção, acompanhamento e responsabilidades definidas. O SIMUSAR está disposto a contribuir, mas a Administração precisa transformar os dados da pesquisa em providências concretas.

Saúde não é questão burocrática. O servidor não pode ser tratado como um número ou apenas como alguém que precisa estar presente, mas como um ser humano que merece respeito e condições dignas para se recuperar.

8. O relatório destaca a importância da Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01), especialmente em relação à identificação e ao gerenciamento dos riscos ocupacionais e psicossociais. Como o SIMUSAR pretende utilizar esse instrumento para defender os servidores?

A NR-01 reforça a importância de identificar os riscos ocupacionais e adotar medidas preventivas, incluindo os fatores psicossociais relacionados à organização do trabalho.

A pesquisa do SIMUSAR, realizada durante o Abril Verde de 2026, oferece subsídios para identificar problemas e orientar ações. Embora não substitua avaliações técnicas, seus resultados apontam situações que merecem atenção.

Defendemos que a Administração Municipal avance na avaliação formal desses riscos, com participação dos servidores e do sindicato. Não basta reconhecer os problemas: é preciso transformá-los em medidas concretas de prevenção e melhoria das condições de trabalho.

9. A saúde do servidor envolve prevenção, acolhimento, valorização profissional e condições dignas de trabalho. Que políticas e ações o SIMUSAR defende para construir uma cultura permanente de cuidado?

Defendemos uma mudança de perspectiva: a saúde do servidor precisa ser cuidada continuamente, e não apenas quando surge uma doença. Isso exige prevenção, acompanhamento dos afastamentos, ambientes adequados, formação das lideranças e ações de combate ao assédio e aos conflitos no trabalho.

Também é fundamental acompanhar os resultados e verificar se as medidas adotadas estão funcionando. Por isso, defendemos um programa permanente de saúde do trabalhador, capaz de garantir continuidade às ações, independentemente das mudanças de governo.

O SIMUSAR seguirá representando e ouvindo a categoria, utilizando o diálogo, os dados da pesquisa e os instrumentos institucionais para buscar melhorias concretas.

Valorizar o servidor é reconhecer que, por trás de cada serviço prestado à população, existe uma pessoa cuja saúde, experiência e dignidade precisam ser respeitadas. Cuidar de quem trabalha pelo Município é também cuidar da qualidade do serviço público oferecido à comunidade.

10. Para concluir, qual é a mensagem que o SIMUSAR deseja transmitir aos servidores municipais e à sociedade de Santa Rosa sobre a importância de cuidar da saúde de quem trabalha diariamente para garantir o funcionamento dos serviços públicos?

A principal mensagem que queremos deixar é que o servidor público também precisa ser cuidado. São trabalhadores que dedicam suas vidas ao atendimento da população e merecem respeito, reconhecimento e condições dignas para exercer suas funções.

Defender a saúde do servidor é também defender a qualidade dos serviços públicos. A pesquisa do SIMUSAR evidencia problemas que precisam ser enfrentados, como o desgaste físico, o estresse e o esgotamento emocional. Esses dados precisam se transformar em ações concretas e em uma nova forma de a Administração Municipal compreender e valorizar seus profissionais.

Como presidente do SIMUSAR, reafirmo nosso compromisso de ouvir a categoria, apresentar propostas e buscar soluções pelo diálogo. Mas dialogar não significa aceitar a omissão, assim como negociar não significa abrir mão de direitos. Quando o diálogo não for suficiente, recorreremos aos instrumentos legais e institucionais cabíveis, incluindo o Ministério Público, o Ministério Público do Trabalho, dentro de suas competências, e o Poder Judiciário.

Esperamos que a Administração Municipal compreenda que, por trás de cada matrícula funcional, existe um ser humano. O servidor não pode ser tratado como adversário por reivindicar direitos, nem como um problema quando adoece. Administrar exige responsabilidade, mas também humanidade, respeito e capacidade de ouvir.

O relatório elaborado pelo SIMUSAR é uma contribuição para a construção de uma política permanente de saúde do trabalhador. Seguiremos acompanhando essa realidade e cobrando providências que produzam melhorias efetivas. Queremos uma gestão que previna o adoecimento, valorize seus profissionais e reconheça que cuidar das pessoas é parte essencial do serviço público.

Nossa disposição para o diálogo é permanente, mas nossa defesa dos servidores é inegociável. Não nos omitiremos diante de injustiças nem deixaremos de buscar os órgãos competentes quando os direitos não forem respeitados. Cuidar de quem cuida de Santa Rosa é respeitar os trabalhadores, fortalecer o serviço público e construir uma cidade melhor para todos.


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